DOM LUCAS HENRIQUE LORSCHEIDER EP
MENSAGEM DE GRATIDÃO PELA NOMEAÇÃO COMO TERCEIRO BISPO DA DIOCESE DO PILAR
Meus amados irmãos e irmãs da Diocese de Pilar,
Ao dirigir-me a cada um de vocês neste momento tão singular da minha vida e da história desta Igreja particular, meu coração se deixa inundar por uma profunda gratidão a Deus, Senhor da messe e Pastor eterno, que, em sua providência amorosa, conduziu meus passos até aqui. Hoje desejo, com simplicidade e verdade, partilhar a alegria, o tremor e a confiança que me habitam ao acolher o chamado do Santo Padre, o Papa Bento VIII, que, movido pelo discernimento e pela solicitude pela Igreja universal, me confiou a missão de servir como o terceiro bispo da amada Diocese de Pilar.
As palavras me parecem sempre pequenas demais para expressar o que se passa no interior de um coração quando Deus manifesta, de forma tão concreta, uma nova etapa de missão. Não se trata de uma promoção ou de um título; trata-se de um envio. Trata-se de colocar-se de novo à disposição do Evangelho, da Igreja e do povo santo de Deus. Trata-se, sobretudo, de deixar que Cristo conduza, que o Espírito Santo inspire e que o Pai Amado sustente. Hoje, mais do que nunca, compreendo as palavras de São Paulo: "Não que sejamos capazes, por nós mesmos, de ter algum pensamento como se viesse de nós; ao contrário, nossa capacidade vem de Deus" (2Cor 3,5).
E é precisamente a Ele que elevo minha primeira ação de graças.
Senhor, Tu que conheces a fragilidade humana e mesmo assim chamas homens simples para conduzir o Teu povo, recebe hoje minha humilde gratidão. Obrigado porque, antes mesmo de eu compreender Teus caminhos, Tu já me preparavas para este dia. Obrigado porque, mesmo sabendo de minhas limitações, Tu confias em mim mais do que eu próprio ousaria confiar. Obrigado porque me conduzes sempre na verdade e na caridade, e porque nunca faltam Tua mão, Teu olhar e Tua presença.
Ser bispo não é possuir uma dignidade terrena, mas carregar nos ombros o peso suave do Teu jugo e a leveza libertadora do Teu amor. Obrigado por me permitir participar de maneira tão íntima e concreta da Tua missão de Pastor. Obrigado, Senhor, por me conceder a graça de servir esta Igreja tão rica de fé, de história, de tradições e de esperança. Obrigado, sobretudo, por me colocares diante deste povo amado de Pilar, que agora se torna minha família, minhas ovelhas, minhas irmãs e meus irmãos.
Meu amado povo, se há algo que desejo que fique claro desde o primeiro instante é isto: eu chego a vocês como um amigo e como um irmão. Não venho como alguém que pretende mandar, impor ou dominar. Não venho com a atitude de quem se coloca acima, mas com a disposição sincera de quem deseja somar, caminhar junto, escutar, aprender, rezar e servir.
A Igreja nunca foi um espaço de poder, mas um espaço de serviço. O episcopado, longe de ser um trono, é uma bacia e uma toalha. Venho como discípulo do Senhor que lavou os pés dos seus e que nos ordenou que fizéssemos o mesmo. Se o ministério episcopal significa ser princípio visível de unidade, isso só se faz com humildade, com diálogo, com proximidade e com amor.
Vocês não terão em mim um administrador distante, mas um pastor que deseja conhecer o cheiro das ovelhas; não terão um chefe, mas um irmão que deseja sentar à mesa, partilhar a vida, ouvir suas histórias e caminhar com vocês rumo à santidade.
Sei que cada diocese carrega suas luzes e suas sombras, suas vitórias e suas dores, suas alegrias e seus desafios. Venho com o coração aberto para amar tudo aquilo que vocês são e tudo aquilo que ainda sonhamos ser juntos.
Rendo também minha gratidão ao Santo Padre, o Papa Bento VIII, cuja confiança me honra e cuja paternidade espiritual me fortalece. A ele devo obediência e comunhão profunda, pois é no vínculo com o Sucessor de Pedro que a Igreja encontra sua unidade visível e sua firmeza. Contudo, ainda que o Papa tenha me enviado, vocês, povo de Pilar, serão aqueles que sustentarão meu ministério com suas orações, seus conselhos, sua acolhida e até mesmo com as correções fraternas que, em certos momentos, a caridade poderá exigir.
Ser bispo é caminhar com o povo de Deus, e não à frente dele como quem controla o destino, mas como quem vigia com amor, acompanha com zelo e serve com generosidade. O pastor não existe sem o rebanho; o bispo não existe sem sua diocese. A partir de agora, cada sorriso, cada lágrima, cada celebração, cada desafio e cada esperança de vocês se tornam parte da minha própria vida.
Antes de minha chegada, já rezava por esta diocese. Rezava pedindo a Deus que me concedesse a graça de amar cada paróquia, cada comunidade, cada sacerdote, cada consagrado e consagrada, cada família, cada jovem, cada idoso, cada criança. Rezava para que eu pudesse compreender a história de fé que vocês construíram ao longo de décadas, talvez séculos, guiados por pastores dedicados, iluminados pelo Evangelho e sustentados por uma fé que atravessou gerações.
Pilar não é apenas um território geográfico; é um território sagrado habitado por almas que Deus me confia. Cada comunidade, cada celebração, cada gesto de fé de vocês compõe a tradição viva desta Igreja particular. Eu chego não para iniciar uma história, mas para me inserir numa história que Deus mesmo começou e que continuará além de mim.
Em sintonia com o que a Igreja nos pede hoje, desejo construir com vocês uma diocese profundamente sinodal. Uma Igreja onde todos caminham juntos, onde todos são ouvidos, onde todos sabem que têm lugar e voz. A sinodalidade é mais do que um projeto; é uma forma de ser Igreja segundo o coração de Deus.
Venho com o desejo firme de ouvir: ouvir os sacerdotes, que são meus colaboradores diretos; ouvir os diáconos, que prolongam o serviço do Cristo servidor; ouvir as religiosas e consagrados, que são luz de profecia; ouvir as lideranças pastorais, que mantêm viva a chama da evangelização; ouvir os jovens, que são o frescor do Espírito na Igreja; ouvir os idosos, que guardam a sabedoria da fé; ouvir os pobres, que são lugar privilegiado da presença de Cristo.
Não podemos ser uma Igreja fechada em si mesma, mas uma Igreja aberta, acolhedora, missionária, capaz de dialogar, de visitar, de abraçar, de consolar, de encorajar. A missão exige coragem, criatividade e comunhão.
Gostaria também de partilhar com vocês aquilo que pretendo viver como fundamento espiritual do meu ministério. São três pilares simples, mas essenciais:
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A Eucaristia diária
É nela que encontro força, sentido e direção. A Eucaristia será sempre o centro da minha vida e do meu pastoreio. Ela é a luz que ilumina minhas decisões, a paz que sustenta meus dias e o amor que desejo partilhar com todos. -
A proximidade com o povo
Não posso ser um pastor distante. Quero estar presente, visitar comunidades, participar das festas, conhecer cada canto desta diocese, rezar com vocês, acolher suas dores, celebrar suas conquistas. Um pastor distante é um pastor incompleto. -
A obediência ao Espírito Santo
Não quero conduzir esta diocese com meus planos pessoais, mas com os planos de Deus. Quero escutar o Espírito em cada discernimento, em cada decisão, em cada encontro. Ele é o verdadeiro protagonista da missão.
No momento em que assumo esta missão, penso nos inúmeros desafios que a evangelização nos apresenta: formar comunidades vivas e missionárias; fortalecer a catequese; revitalizar as pastorais; acompanhar os jovens; defender a vida em todas as suas etapas; promover a caridade; cuidar das famílias; proteger os mais frágeis; sustentar o clero; estimular vocações; celebrar com dignidade; levar Cristo aos mais distantes.
Mas não temo os desafios, porque sei que não caminho sozinho. Caminhamos juntos, guiados pelo Espírito Santo, fortalecidos pelo amor de Deus e iluminados pelo Evangelho.
Se pudesse resumir em poucas palavras o que trago comigo, eu diria: trago o coração aberto e as mãos estendidas.
Trago meu coração para amar esta diocese com toda a intensidade que Deus me permitir. Trago minhas mãos para trabalhar ao lado de vocês, sem preguiça, sem medo, sem reservas. Trago minha mente para refletir sobre o que é melhor para todos, meu joelho para rezar por cada pessoa que me for confiada, meu tempo para dedicar a cada necessidade, minha voz para anunciar Cristo com humildade e firmeza.
E trago, acima de tudo, minha fé — uma fé que não é minha, mas da Igreja; uma fé que recebi, que nutri e que desejo partilhar com alegria.
Queridos irmãos e irmãs, se me permitem, peço uma coisa muito simples, mas essencial: rezem por mim. Rezem para que eu seja um bispo segundo o coração de Cristo. Rezem para que eu não me deixe levar pelo cansaço, pela autossuficiência ou pelo desânimo. Rezem para que eu seja forte quando necessário e sensível quando a caridade assim exigir. Rezem para que eu saiba acolher, escutar, decidir, ensinar e, sobretudo, amar.
Sem a oração do povo, o ministério de um bispo se torna pesado demais. Com a oração do povo, ele se torna leve, fecundo, sereno.
Quero consagrar desde já meu ministério à intercessão materna da Santíssima Virgem Maria, sob o título com que é invocada nesta diocese. Que ela me ensine a guardar tudo no coração, a escutar a Palavra, a servir com alegria, a permanecer fiel mesmo nas noites escuras, a estar de pé quando a cruz aparecer e a cantar o Magnificat quando a graça florescer.
Que Maria seja Mãe, Mestra e Guia.
Hoje, diante de Deus e diante de vocês, quero reafirmar com toda a verdade que há dentro de mim: eu chego para somar.
Chego para servir.
Chego para caminhar ao lado.
Chego para aprender.
Chego para construir.
Chego para amar.
Chego para ser irmão.
Chego para ser amigo.
Chego para ser pastor.
Tudo o que tenho e sou, coloco à disposição desta diocese.
Que o Senhor, que iniciou em nós esta obra, Ele mesmo a leve ao seu pleno cumprimento.
Com gratidão profunda, com humildade sincera e com amor verdadeiro, deixo aqui minha bênção e meu coração.
O novo bispo e irmão de vocês em Cristo,
Em Cristo, único Pastor e Senhor,

