Mensagem de Felicitações | Mons. Miguel Bordin, nomeado bispo auxiliar do Pilar

    

DOM LUCAS HENRIQUE LORSCHEIDER E.P. 

POR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA
BISPO DA DIOCESE DO PILAR


Ao clero, religiosos e leigos da Diocese do Pilar, de modo especial ao querido filho Mons. Miguel Bordin saudações e bençãos no Senhor.
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MENSAGEM DE FELICITAÇÕES


“Adsum”

Com esta palavra — Adsum, “eis-me aqui” — dizemos e damos o nosso sim aos ofícios divinos, e hoje o pedido se repete. Somos tomados de felicidade ao vermos que um dos nossos irmãos foi chamado para ser sucessor dos Apóstolos. É o Senhor, nosso Deus, quem o escolheu e o carrega pela mão. A nós cabe a oração e a gratidão a Deus por tamanha escolha.

Querido Mons. Miguel Bordin, desejo-lhe muita felicidade e um frutuoso munus episcopal, pois a semente foi plantada, regada e cultivada; por isso sei que dará bons frutos. O seu ministério sacerdotal já é um reflexo do seu ministério episcopal. Muitas vezes, em nossas conversas, o senhor me dizia: “estou aprendendo a ser padre”, e eu sempre repetia: “eu também”. Por isso sei como se sente e sei que o seu serviço é precioso aos olhos do Senhor.

O salmista diz: “O Senhor jurou e não se arrependerá”, e essa promessa novamente ressoa em seus ouvidos como uma certeza de fé e de esperança. Aceitar o munus episcopal não é simplesmente tornar-se alguém superior, mas continuar a ser um fiel colaborador na mesma vinha do Senhor, agora com maior responsabilidade e entrega. Tenha sempre diante dos olhos que o Senhor lhe confiou uma nobre missão, repleta de obstáculos e desafios, mas que nunca o devem fazer parar, pois os ungidos do Senhor superam tudo com a força que vem do Alto e com a sabedoria que brota da oração.

Nós, da Diocese do Pilar, ficamos imensamente felizes com sua nomeação e com o desempenho de seu ofício em nosso meio. É um filho que é elevado a tamanha dignidade e que serve de incentivo para os demais que estão chegando e para aqueles que continuam firmes no caminho. Sua eleição recorda a todos nós que Deus continua a chamar operários para a sua messe e que Ele não abandona a sua Igreja, mas a conduz com providência amorosa através dos séculos.

A alegria que sentimos não é apenas humana ou afetiva; é uma alegria eclesial, espiritual, que nasce da certeza de que o Espírito Santo continua a agir. Quando a Igreja chama, é Cristo quem chama; quando a Igreja envia, é Cristo quem envia. Por isso, sua resposta generosa é, antes de tudo, uma resposta a Cristo Bom Pastor, que lhe diz novamente: “Apascenta as minhas ovelhas.” Esse mandato, dirigido a Pedro, ecoa agora em sua vida de modo particular, inserindo-o de maneira ainda mais profunda na sucessão apostólica.

O episcopado é plenitude do sacramento da Ordem, e nele se manifesta de forma singular a paternidade espiritual do bispo para com o povo de Deus. O senhor é chamado a ser pai, mestre e pastor: pai que acolhe, mestre que ensina a verdade e pastor que conduz com caridade. Em um mundo tantas vezes marcado pela confusão e pela superficialidade, o bispo é sinal de unidade, referência de doutrina segura e presença que confirma os irmãos na fé.

Recordo-me de seu zelo pelas coisas de Deus, de seu cuidado com a liturgia, de seu amor pela Igreja e de sua disponibilidade em servir, mesmo nas tarefas mais simples. Nada disso foi em vão; tudo era preparação silenciosa para este momento. Deus escreve certo por linhas que muitas vezes não compreendemos de imediato, mas que, vistas à luz da fé, revelam um desígnio de amor. Sua história vocacional é também uma catequese viva para todos nós: mostra que vale a pena confiar, esperar e perseverar.

Sei que em seu coração também há um santo temor, pois quem é chamado a tão grande missão sente o peso da responsabilidade. Mas não tenha medo. Aquele que chama também sustenta. A graça de estado nunca falta àquele que foi legitimamente escolhido e enviado. Como disse o Senhor a São Paulo: “Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta a minha força.” Assim, também em suas limitações humanas brilhará a força de Deus, para que fique claro que a obra é d’Ele e não nossa.

Seu lema de vida, suas escolhas pastorais, seu modo de ser simples e acessível já revelam um coração configurado ao Coração de Cristo. O povo de Deus precisa de pastores com cheiro de ovelha, que caminhem junto, que escutem, que sofram e se alegrem com o rebanho. Tenho certeza de que o senhor continuará sendo esse pastor próximo, que não se coloca distante, mas que se faz presença amiga e sinal da ternura divina.

Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja e Rainha dos Apóstolos, o acompanhe de modo especial. Todo bispo encontra em Maria um modelo de escuta, fidelidade e total disponibilidade à vontade de Deus. Assim como ela disse “faça-se em mim segundo a tua palavra”, o seu Adsum se une ao Fiat de Maria, tornando-se oferta agradável a Deus para o bem de toda a Igreja. Consagre sempre seu ministério ao Imaculado Coração de Maria, e encontrará refúgio seguro nas horas de provação.

Não posso deixar de mencionar a importância de sua comunhão com o Santo Padre e com o colégio episcopal. O bispo nunca caminha sozinho; ele é membro de um corpo, participante de uma missão comum. A unidade com o Sucessor de Pedro é garantia de fidelidade a Cristo e de autenticidade do ministério. Sua obediência e amor à Igreja sempre foram visíveis, e agora se tornam ainda mais essenciais em sua nova missão.

Sua nomeação também é um chamado para todos nós. Ela nos recorda que a Igreja é viva, que as vocações continuam florescendo e que cada um de nós tem um lugar no plano de Deus. Enquanto o senhor é chamado a uma missão maior, nós somos chamados a rezar mais, a colaborar mais e a viver com maior fidelidade nossa própria vocação. Assim, sua elevação se torna estímulo para a santidade de todo o povo de Deus.

Quantas pessoas certamente agradecerão a Deus pelo seu sim: fiéis que foram orientados, sacerdotes que receberam seu apoio, seminaristas que encontraram em seu testemunho um exemplo, famílias que se sentiram acolhidas por sua palavra. O alcance de um ministério fiel é impossível de medir completamente; só a eternidade revelará o bem realizado. Mas já agora vemos sinais claros de que Deus o utilizou e continuará a utilizá-lo como instrumento de sua graça.

Peço ao Senhor que lhe conceda saúde, serenidade e perseverança. Que nunca lhe falte o tempo de oração, pois é nela que o pastor encontra luz para governar e força para amar. Um bispo de joelhos é um bispo de pé diante do mundo. A intimidade com Cristo será sempre sua maior riqueza e seu guia mais seguro.

Receba também nossa gratidão. Gratidão por seu testemunho, por sua amizade, por sua disponibilidade e por seu amor à Igreja. Mesmo partindo para novas responsabilidades, permanece em nossos corações como parte de nossa história. A comunhão na Igreja supera distâncias geográficas; permanecemos unidos na mesma fé, na mesma Eucaristia e na mesma caridade.

Que seu ministério seja fecundo em vocações, em conversões, em renovação espiritual. Que onde o senhor estiver, floresçam comunidades vivas, liturgias bem celebradas, caridade concreta e anúncio fiel do Evangelho. Que sua palavra seja sempre iluminada pela verdade e temperada pela misericórdia.

Hoje elevamos a Deus um hino de louvor por sua vida e por sua missão. A alegria que sentimos é sinal de que o Espírito Santo age na Igreja. Continuaremos rezando por você, para que seja um bispo segundo o Coração de Cristo: firme na fé, alegre na esperança e generoso na caridade.

Por fim, renovo meus votos de alegria e fecundidade espiritual. Que seu Adsum de hoje seja renovado a cada manhã, e que, ao final de sua missão, possa ouvir do Senhor: “Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.” Esta é a meta maior, esta é a verdadeira recompensa.

Conte com nossas orações, nosso carinho e nossa comunhão. Seguimos unidos, servindo ao mesmo Senhor, na mesma Igreja, para a glória de Deus e a salvação das almas. E, enquanto caminhamos, damos graças porque o Senhor continua a chamar e a enviar.

Adsum. Eis-nos aqui, Senhor. Amém.

Em Cristo Jesus,


 LUCAS HENRIQUE LORSCHEIDER
Bispo Diocesano 

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