Carta de Agradecimento | Dom Pietro Rohr

 

DOM LUCAS HENRIQUE LORSCHEIDER E.P. 

POR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA
BISPO DA DIOCESE DO PILAR


Ao Reverendíssimo Irmão no Episcopado,
Dom Pietro Rohr,
nomeado Bispo Diocesano de Grão Pará,
até agora Bispo Auxiliar da Diocese do Pilar.

Caríssimo irmão em Cristo,
Com o coração repleto de alegria fraterna, de gratidão sincera e de viva esperança, dirijo-me a Vossa Excelência Reverendíssima por ocasião de sua nomeação como Bispo Diocesano de Grão Pará. Esta notícia, recebida com júbilo por toda a Igreja, enche-nos de contentamento e nos leva a elevar ao Senhor nosso louvor agradecido, pois mais uma vez a Providência divina manifesta seu cuidado amoroso para com o Povo de Deus, chamando pastores segundo o Seu coração para conduzir o rebanho que lhes é confiado.

Ao mesmo tempo em que felicitamos Vossa Excelência por esta nova missão e pelo sinal de confiança que a Santa Igreja deposita em vosso ministério, sentimos também o impulso interior de expressar profundo reconhecimento por todo o bem realizado até aqui como Bispo Auxiliar da Diocese do Pilar. Vosso serviço generoso, silencioso e constante deixou marcas luminosas na vida e na história daquela Igreja particular, e certamente continuará produzindo frutos abundantes no tempo oportuno.

A missão episcopal, confiada por Cristo aos Apóstolos e transmitida pela sucessão apostólica ao longo dos séculos, encontra em vossa trajetória um belo testemunho de entrega, humildade e zelo pastoral. Em meio às exigências próprias do ministério, às responsabilidades numerosas e aos desafios de cada tempo, Vossa Excelência soube permanecer próximo do povo, atento às necessidades dos sacerdotes, sensível ao clamor dos pobres e fiel à comunhão eclesial. Tal testemunho edificou muitos corações e fortaleceu a esperança de incontáveis fiéis.

A Diocese do Pilar, onde exercestes com nobreza o ofício de Bispo Auxiliar, certamente guarda viva memória de vossa presença paterna e de vosso trabalho incansável. Quantas visitas pastorais, quantos encontros formativos, quantas celebrações litúrgicas, quantos momentos de escuta, de aconselhamento e de reconciliação marcaram esse período fecundo. Quantas comunidades, por vezes simples e discretas aos olhos do mundo, sentiram-se valorizadas pela atenção de um pastor que não mede esforços para estar junto do povo que lhe foi confiado.

A alegria com que sempre desempenhastes vossa missão merece particular menção. Em tempos nos quais tantos se deixam vencer pelo cansaço, pela indiferença ou pelo desânimo, Vossa Excelência ofereceu o testemunho de um ministério vivido com serenidade, entusiasmo e espírito sobrenatural. Esta alegria não é superficial nem passageira, mas nasce da certeza de servir a Cristo e de gastar a vida pelo Evangelho. Trata-se daquela alegria evangélica que sustenta o pastor nas fadigas diárias e o torna sinal visível da bondade de Deus.

Também vossa dedicação incansável é motivo de sincera gratidão. A Igreja necessita de pastores que não se poupem diante das necessidades do povo, que saibam ouvir antes de falar, servir antes de exigir e amar antes de julgar. E assim fostes reconhecido: homem de proximidade, de prudência, de firmeza quando necessária, e de ternura quando requerida. O exercício equilibrado dessas virtudes revela maturidade espiritual e verdadeira configuração a Cristo Bom Pastor.

Não podemos deixar de recordar, igualmente, o cuidado demonstrado para com o presbitério. Um bispo que ama seus sacerdotes fortalece a vida da diocese inteira. Muitos padres encontraram em Vossa Excelência apoio, conselho prudente, palavra de incentivo e presença paterna. A comunhão entre o bispo e seus presbíteros é tesouro precioso, e o modo como cultivastes essa unidade certamente contribuiu para a fecundidade pastoral da Diocese do Pilar.

Vosso amor à liturgia, à catequese sólida e à vida sacramental também merece gratidão. Onde a liturgia é celebrada com dignidade, onde a Palavra é anunciada com clareza e onde os sacramentos são administrados com zelo, ali floresce a vida cristã. O povo reconhece quando seus pastores conduzem tudo para Deus e não para si mesmos. E esse testemunho, tão necessário em nossos dias, foi percebido por muitos ao longo de vosso ministério auxiliar.

Agora, a Igreja vos chama a uma nova etapa. Grão Pará recebe não apenas um administrador, mas um pai espiritual; não apenas um dirigente, mas um pastor; não apenas um nomeado, mas um homem provado no serviço e amadurecido pela experiência. A nova missão certamente trará alegrias e cruzes, consolações e exigências, projetos promissores e desafios concretos. Mas sabemos que a graça de Deus precede todo chamado e acompanha todo envio.

Tenho certeza de que levareis convosco para esta nova diocese a sabedoria adquirida no caminho percorrido, a humildade que vos caracteriza e a disposição missionária que sempre manifestastes. Um bispo diocesano é chamado a ser princípio visível de unidade, mestre da fé, santificador do povo e guia prudente da comunidade. Tudo isso requer vida interior profunda, espírito de sacrifício e total confiança no Senhor. E cremos que estas disposições já habitam vosso coração.

Ao povo fiel de Grão Pará, desejo manifestar também minha alegria. Recebeis um pastor experimentado, generoso e dedicado. Acolhei-o com amor filial, com espírito de comunhão e com sincera colaboração. Rezai por ele, sustentai-o com vosso carinho e caminhai unidos sob sua condução. Quando uma diocese e seu bispo caminham em harmonia, a evangelização floresce, as vocações surgem e a caridade se expande.

A Vossa Excelência, querido irmão, dirijo ainda uma palavra pessoal de apreço. A convivência episcopal permite reconhecer em cada irmão dons particulares concedidos por Deus para o bem da Igreja. Em vós, muitos percebem serenidade no trato, discrição no agir, firmeza nas decisões e genuíno amor pela missão. Tais qualidades não se improvisam; são fruto de oração, disciplina interior e longa fidelidade ao chamado recebido.

Nesta hora de transição, imagino também os sentimentos que se entrelaçam em vosso coração: gratidão pela Diocese do Pilar, saudade antecipada das pessoas queridas, expectativa diante da nova missão e confiança na vontade divina. Estes sentimentos são legítimos e humanos. O pastor ama o povo que serviu e, justamente por isso, pode amar com renovado ardor o povo ao qual agora será enviado.

Que Maria Santíssima, Mãe da Igreja e Estrela da Evangelização, acompanhe cada passo desta nova etapa. Que São José, guardião fiel, vos obtenha prudência e fortaleza. Que os santos padroeiros de Grão Pará intercedam por vosso ministério. Que o Espírito Santo vos conceda sabedoria para governar, coragem para corrigir, ternura para acolher e perseverança para santificar.

Peço ao Senhor que vos conserve sempre simples no coração, acessível aos pequenos, atento aos que sofrem e apaixonado pela verdade do Evangelho. Que jamais vos falte a alegria de servir, mesmo nos dias árduos; nem a paz interior, mesmo em meio às tempestades; nem a esperança, mesmo quando os frutos parecerem tardios. O verdadeiro pastor sabe que semeia muitas vezes em lágrimas aquilo que um dia será colhido em júbilo.

Recebei, pois, esta carta como expressão sincera de estima fraterna e reconhecimento eclesial. Agradecemos pelo vosso serviço dedicado à Diocese do Pilar, pela alegria comunicada em vosso ministério, pela proximidade pastoral e pelo testemunho de fidelidade. Agradecemos, sobretudo, por vos terdes deixado conduzir pela vontade de Deus, colocando vossa vida a serviço da Igreja.

Ao iniciar vosso pastoreio em Grão Pará, sabei que não ides sozinho. A comunhão da Igreja vos acompanha, as orações de muitos vos sustentam e a graça de Cristo vos precede. O mesmo Senhor que vos chamou continuará sendo vossa força, vosso consolo e vossa recompensa.

Em nome desta Diocese e em meu nome pessoal, renovo as mais cordiais felicitações por vossa nomeação. Desejo que vosso episcopado em Grão Pará seja fecundo em santidade, rico em vocações, abundante em obras de caridade e firme na fidelidade à Igreja.

Com sentimentos de elevada estima, sincera amizade fraterna e união em Cristo, subscrevo-me.
Dado na Cúria Diocesana, aos vinte e nove dias do mês de abril do Ano do Senhor de dois mil e vinte e seis.
Dom Lucas Henrique Lorscheider
Bispo Diocesano
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