2° Domingo de Agosto | Vocação Matrimonial

 

DOM CARLOS EDUARDO CARDEAL CORDEIRO
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
BISPO DIOCESANO ELEITO DO PILAR 

Prot.:131/2026
 

Ao clero, religiosos, leigos e  todos que a este leem, 

Saudações e da parte de Nosso Senhor. 

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“Eu e minha casa serviremos ao Senhor”

(Js 24,15)


Neste segundo domingo do mês de agosto, somos convidados a olhar para dentro de nossas casas e contemplar, com atenção e gratidão, o grande dom que é a família. Neste domingo em que somos chamados de modo especial a rezar por nossas famílias, elevemos ao Senhor nossas preces por aquelas que já existem, por aquelas que estão se formando e também por todos aqueles que trazem no coração o desejo de constituir uma família. Que Deus acompanhe cada vocação matrimonial e cada projeto de vida que nasce do desejo sincero de amar e construir um lar.


Neste mesmo domingo, celebramos também o Dia dos Pais. A figura paterna nos recorda tantas vezes um amor que não se manifesta apenas por palavras, mas sobretudo por obras, gestos, presença, cuidado e sacrifício. Ser pai é assumir a missão de amar, proteger, educar e conduzir os filhos. É ser presença mesmo quando as palavras faltam; é oferecer, muitas vezes em silêncio, aquilo que é necessário para que a família permaneça de pé.


Meus irmãos, neste dia precisamos compreender que uma família não pode ser edificada sobre um terreno arenoso. Ela não pode ser construída sobre a ausência de amor sincero, sobre a mentira, a infidelidade, o egoísmo ou a indiferença. Uma família precisa ter como fundamento o amor verdadeiro entre o esposo e a esposa, um amor que se renova todos os dias. O casal é chamado a permanecer unido, a cultivar a ternura, o diálogo, o perdão e a fidelidade. São chamados a ser eternos apaixonados, eternos companheiros de caminhada, sustentando-se mutuamente diante das alegrias e das dificuldades da vida.


E, sobretudo, Deus deve estar no centro da família. Uma família sem Deus corre o risco de perder o sentido mais profundo de sua existência. Se a família é uma barca, Cristo deve estar dentro dela, conduzindo seu caminho. Quando chegam as tempestades, é Ele quem sustenta os corações; quando surgem as dificuldades, é Ele quem ensina a permanecer; quando chegam as alegrias, é Ele quem nos ensina a agradecer.


Nossa primeira evangelização acontece dentro de casa. Antes mesmo de aprendermos grandes ensinamentos sobre a fé, aprendemos olhando para nossos pais. Aprendemos através do exemplo do pai que reza, da mãe que ensina a confiar em Deus, dos gestos de perdão, da participação na Santa Missa, da oração em família e da caridade vivida no cotidiano. A família é, verdadeiramente, o primeiro lugar onde somos chamados a conhecer e experimentar o amor de Deus.


Cristo, centro de nossa fé e centro de nossa existência, deve estar sempre à frente de nossas casas. São Paulo nos recorda, na Carta aos Efésios: “Maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5,25). Este é um chamado profundo: amar não apenas quando é fácil, mas também quando é difícil; permanecer não apenas nos momentos de alegria, mas também nas provações. Por isso, maridos, amem e sejam fiéis às suas esposas. Não permitam que a infidelidade destrua aquilo que Deus lhes confiou. Amem também os seus filhos e estejam presentes em suas vidas.


Aos filhos, recordamos igualmente o mandamento do Senhor: honrar pai e mãe. Não desrespeitem seus pais, nem na juventude nem quando eles chegarem à velhice. Lembrem-se de que aqueles que um dia cuidaram de vocês também precisarão, muitas vezes, do cuidado de vocês. A família é lugar de reciprocidade, de respeito e de gratidão.


Às esposas, recordamos a beleza de serem presença, companheiras e apoio dentro do lar. Sejam força nos momentos de dificuldade, alegria nos momentos de conquista e presença fiel na caminhada do esposo e dos filhos. Que o amor entre marido e mulher seja sempre recíproco: um amor que se entrega, que escuta, que perdoa, que compreende e que permanece.


Aos nossos jovens que desejam, um dia, constituir uma família, digo: preparem-se para amar. Antes de desejar um bom esposo ou uma boa esposa, procurem ser bons esposos e boas esposas. Antes de desejar bons filhos, preparem o coração para serem bons pais e boas mães. Construam desde agora os valores que desejam transmitir àqueles que virão depois de vocês. Que sejam jovens capazes de amar com responsabilidade, fidelidade e maturidade, colocando sempre Deus no centro de seus projetos.


Como canta o Padre Zezinho, em uma de suas belas canções, existe quem considere utopia o sonho de uma família verdadeiramente unida pelo amor. Mas aquilo que alguns chamam de utopia, nós podemos chamar simplesmente de amor. Porque quando aprendemos a amar como Cristo amou, somos capazes de transformar nossas casas, nossas relações e nossas próprias vidas.


Por isso, queridos irmãos e irmãs, amai-vos uns aos outros. Maridos, amai vossas esposas como Cristo amou a Igreja. Esposas, amai vossos esposos com fidelidade e ternura. Pais, amai e educai vossos filhos na fé. Filhos, honrai e respeitai vossos pais. Jovens, preparai-vos para construir famílias verdadeiramente cristãs. E todos nós, coloquemos nossas casas nas mãos de Deus.


Que neste segundo domingo de agosto nenhuma família se sinta esquecida. Rezemos pelas famílias que vivem em paz e também por aquelas que atravessam dificuldades; pelas que estão unidas e por aquelas que enfrentam a dor da separação; pelos pais presentes e pelos pais que já partiram; pelos filhos que estão perto e pelos que estão distantes. Que o Senhor visite cada lar e derrame sobre ele a sua graça.


Que a Sagrada Família de Nazaré — Jesus, Maria e José — seja o modelo e a proteção de nossas famílias. Que em nossas casas nunca falte o amor, a fé, o perdão, a esperança e a presença de Deus.


Que Deus abençoe todas as nossas famílias, fortaleça os esposos, proteja os pais, ilumine os filhos e conceda aos jovens a graça de construírem, no tempo oportuno, lares firmados no amor e na fé.


✠ CARLOS EDUARDO CARDEAL CORDEIRO   
Bispo Diocesano Eleito


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